Teste
umbelodiaresolvimudar
e fazer tudo que eu queria fazer
Wednesday, February 16, 2005
Friday, March 07, 2003
Machado está com muitas janelas abertas em seu micro. E catatônico. Fica parado olhando para a tela do monitor, a boca faz um movimento de quem vai chorar, mas muda rapidamente para uma feição de ódio. Pega a agenda em cima da mesa, e anota vários eventos em vários dias.
fecha as janelas, com alguns sons altos, e rapidamente desliga o som do micro.
Sai da sala com a agenda e vai para a sala do outro.
Antônio está na sua mesa, arrumando papéis, liga para o mesmo cara que falou com o machado mais cedo e pergunta qual é a minha sala?
ao mesmo tempo, machado entra na sala dele sem bater e ele fala no fone: depois a gente conversa.
Machado fala num tom excessivamente agressivo: nossa, já tem que desligar o telefone quando eu entro na sala? foi rápido! rei morto, rei posto. Vc quer que eu saia?
sujeito: já vi que seu humor está otimo. Aliás, machado, esse tipo de postura nunca agradou a empresa, sabe?
Machado, encolhido: mas eu sou assim.
Sujeito: Bem, as pessoas podem mudar. As empresas mudam.
de manhã, o homem coloca um terno, desce até seu carrão. Olha. Pára. entra no carro, fica parado lá dentro. Dá a partida. desliga. liga novamente. O homem está na portaria da empresa. Fala rudemente com o porteiro: POr favor, abra a catraca, que eu tenho que pegar minhas coisas. O porteiro, surpreso: mas é lógico.
Ele sobe o elevador, olhando para baixo. entra numa sala, cumprimentando com a mão a secretaria, e começa a colocar papeis em uma pasta. Pega umas revistas em inglês, pára em uma que conta com figurinhas de executivos, e nesse momento entra um sujeito em sua sala.
machado, você saiu ontem em retirada, eu nem pude falar...
ele interrompe: vim aqui pegar minhas coisas. não era isso que esperavam de mim? eu sempre faço o esperado não é?
o sujeito: Olha, Machado, voce sabe que eu sempre fui contrário a sua demissão, e com sua experiência, você consegue outra colocação..
Machado: bem, se sou tão bom, então...
O sujeito: Que drama, meu caro. as coisas mudam. Aliás, depois que seu humor mudar, passa na minha sala para conversarmos uns detalhes pendentes.
Machado: que pendências? Não deixei nada pendente.
sujeito: nenhuma pendência de trabalho, homem. Bem, espero por você.
Quando o sujeito sai da sala, ele levanta da cadeira e entra no computador, com o mesmo nick patetico.
Antônio chega na mesma empresa, e fala com o porteiro " vascaíno!". Quando passa o crachá, a catraca trava.
O porteiro, aí, tá devendo?
Antônio, envergonhado: não. tô ganhando.
o porteiro: parabéns! é, o senhooooor (exagera) vai ter que fazer novo crachá.
ele: senhor, não!
Passam outras pessoas que percebem o movimento e um deles, um cabeludão pergunta:
você vai ficar no lugar do Machado? Já tá todo mundo sabendo!
o porteiro: ih, ele passou aqui uma onça de manhã;
Antônio interrompe:
Não. Não há mais o "lugar do machado". A diretoria vai acabar e algumas coordenações serão feitas, e eu vou começar a coordenar esse processo.
O cabeludo: chope pra comemorar!
Antônio: ih, hoje num dá, tenho programa com a mulé e...
o cara: tá beleza, a gente se fala, e vai.
O cara do squash chega em casa. e diz para a mulher: decidi jantar aqui.
A mulher nao diz nada, se levanta, entra na cozinha.
Estão os dois sentados, mudos na mesa arrumada, comendo. O filho passa por eles e exclama:
AÊ! E sai pela porta. O pai faz um impulso de aproximação, igual ao que fez com sua mulher mais cedo, e rapidamente se encolhe novamente.
Pergunta: Raquel, ele está bem na escola?
Raquel: sim.
Pergunta: onde ele vai agora?
Raquel: No play do condiminio, brincar com os amigos dele. Queria que ele ficasse com 13 anos o resto da vida, temo o que pode vir por aí.
Ele: e o que pode vir por aí?
Raquel: a vida adulta.
Amigo1, na loja bacana, escolhe algumas roupas, sempre olhando o preço. Quando está no caixa, chega uma moça de uns 25 anos, cabelo comprido e encaracolado, meio riponga, cheia de livros, sem maquiagem, que pula no seu pescoço e o enche de beijos.
Ana: uau. você ganhou na loteria? assaltou um carro forte?
amigo1: Não. Tô sem roupa. é isso. vamos para a sua casa?
Ana: pode ser, a Marie está lá...
amigo 1: putz, num guento mais vc dividir apartamento com essa sujismunda!
os dois riem.
ana: Bem, europeu é tudo assim. E eu posso morar com vc...
amigo1: mas é claro. pegam a sacola e saem pelo shopping.
O homem do squash chega no clube. Não sabe o que fazer. Evita olhares longos. Até que entra em uma quadra onde está um conhecido que pergunta como vão as coisas na empresa.
Ele responde: tudo ótimo.
Homem do squash: ótimo. vamos jogar?
ele: sim
começam o jogo. ele bate algumas bolas com muita força e reclama histericamente de cada ponto feito pelo chapa.
Saem da quadra umidos de suor.
Chapa: está tudo bem?
ele: sim. já disse que sim, com irritação.
Chapa: se vc me permite. Estou perguntando de você. E não do trabalho.
ele, surpreso. Claro que sim. muitas preocupações, o usual. Vai para o vestiário, e some.
Amigo1 no celular: Ana, tô no shopping com o amigo2 vc me encontra aqui?
ana: claro, onde?
amigo1: ...
ana: uhu! Até que enfim meu bofe ficará apresentável. ó. tô acabando um grupo de discussão, e já vou.
Amigo1 ela comentou da loja, disse que vou andar bem agora, num tom inseguro
amigo2: vem cá. vc vai ficar nessa culpa danada? É, vc não está tendo uma atitude digna de um companheiro de luta revolucionária. Mas a revolução pagou suas contas? Pó pará. vai lá se embonecar que vou pro banco. Tchau.
O homem do paletó pega uma roupa "esporte" e diz para a mulher que vai pro clube.
ela: ué, mais cedo hoje? o que houve?
ele: reunião no squash. Nunca viu? As vezes é assim, Raquel.
ela: claro que é. Vc janta em casa?
ele: não sei.
ela: então, bom jogo, e bons negócios, querido. Sorri, e se vira, sem tocar no homem, que chega a esboçar uma aproximação.
Amigo1: Vou comprar roupas novas. Não posso mais andar assim como eu ando
amigo2: nossa, o poder e sucesso sobem rápido mesmo a cabeça, né não.
amigo1, entre inseguro e puto: não, né, ô, seu babaquara. Não posso mais andar assim como eu ando.
Amigo2: terno? já amanhã? depois de amanhã tá de motorista. Olha lá
amigo1: vem cá, vc só vai me sacanear? Nem um parabéns vai rolar?
amigo 2: Claro que te dou os parabens (se levanta e dá um abraço excessivamente teatral). Mas eu sabia que VOCÊ não aguentava mais aquela empresa doida. Eu tb sei que ganhar um dinheiro é ótimo, que vc precisa. Mas me sinto na obrigação de chapa de não deixar vc se deslumbrar. A não ser que vc ganhe uma secretária gostosa. RARARA
amigo1 ri também, relaxado: Brigadão, tb to achando tudo muito estranho. E não rola ainda secretárias gostosas. Ainda, meu caro, ainda! o business que me espere!
Um dia, ele chegou em casa, passou direto pela mulher, que dava ordens a empregada, e pelo filho, que jogava videogame em um quarto cheio de parafernálias, sentou no escritorio, abriu o seu blog, e seu messenger, e disse aos seus amigos de computador, escondido sob um nick patetico, como solteiro45 que havia sido demitido. Sua família ignorava sua presença, e assim continou ignorando, até que ele saiu do escritório com algum estardalhaço, colocando o paletó e a camisa sujos de suor na mão da atônita empregada.
"o senhor quer que eu lave isso agora? Mas a dona Raquel..."
Ele não ouvia o que subordinados falavam. Nunca ouviu. Virou e voltou para o escritório, onde sentou novamente e começou a digitar sem cessar.
A mulher dele continuou falando com a empregada, como se não tivesse notado a presença do marido.
O filho continuou jogando.
Um homem chega em casa. Chama o amigo com quem divide apartamento, que está lendo em uma mesa com computador.
Amigo1: Cara. Fui promovido.
Amigo2: Vc não queria sair, meu caro?
Amigo1: Sim. Sempre dá tudo errado, mesmo quando dá tudo certo pra mim.
Amigo2: Você já contou para a Ana?
Amigo1: Não. e nem vou. Ela vai querer casar.
Amigo2 gargalha, e fala: bem, meu caro, vc não pode ficar casado comigo pra sempre.
Friday, February 28, 2003
Cortar os pulsos? com fio dental.
A idéia não é acabar com o sofrimento, lógico. Esses sao os suicidas superiores
Suicidas de dramas medíocres como os da minha estirpe querem só prolongar o sofrimento
nao quero esbarroes
quero ser eu, quero minha vida. e o que é meu, se não aquilo que nao é o seu? o batido estrangeiro
aquilo que sou é tudo aquilo que sei que nao sou
e eu nao sou você
eu nao sou nenhum de vocês
Minha vida é minha vida
sua vida é a sua vida
nao quero mais saber das fronteiras
nao quero mais fronteiras
quero um oceano entre nós
